Ievguêni Zamiátin (1884–1937) foi um escritor, engenheiro naval e crítico literário russo, reconhecido como um dos pioneiros da literatura distópica moderna. Sua obra exerceu profunda influência sobre o gênero, antecipando temas que mais tarde seriam explorados por autores como George Orwell, Aldous Huxley e Ray Bradbury.
Formado em engenharia naval, Zamiátin participou da construção de navios na Rússia e na Inglaterra, experiência que influenciou sua visão crítica sobre a industrialização, o progresso tecnológico e a mecanização da sociedade. Inicialmente simpatizante da Revolução Russa, tornou-se um dos mais contundentes críticos do autoritarismo e da censura impostos pelo regime soviético.
Sua obra mais célebre, Nós, escrita entre 1920 e 1921, retrata uma sociedade totalitária em que os indivíduos vivem sob vigilância constante, têm suas vidas rigidamente controladas pelo Estado e perdem gradualmente sua liberdade e identidade. O romance tornou-se uma referência fundamental da literatura mundial e inspirou clássicos como 1984 e Admirável Mundo Novo.
Além de Nós, Zamiátin escreveu contos, novelas, ensaios e críticas literárias marcados pela ironia, pela experimentação narrativa e pela reflexão sobre liberdade, individualidade e poder. Em razão da perseguição política e da censura, obteve autorização para deixar a União Soviética em 1931, estabelecendo-se em Paris, onde viveu até sua morte.
Hoje, Ievguêni Zamiátin é considerado um dos grandes nomes da literatura russa do século XX e uma figura indispensável para a compreensão da ficção distópica e das reflexões sobre os limites do poder estatal, da tecnologia e da liberdade humana.
